Capoeira Brasil · Mestre Mindinho
A música

CANTAR NA CAPOEIRA

A música da capoeira é vasta. Cada escola tem seu próprio jeito de fazer as coisas, construído ao longo do tempo. Esta página não é a verdade sobre a música da capoeira — não existe uma verdade única. É o que quase todo mundo compartilha, onde as escolas realmente divergem, e o que fazemos aqui.

Everything you put here — so many books, and none of it is incorrect. Everybody in capoeira has their own way. Each school has its own way, that they developed over time. In my school it is very personal, and it works like we do.
tradução: Tudo que você colocou aqui — tantos livros, e nada disso está incorreto. Todo mundo na capoeira tem o seu jeito. Cada escola tem o seu jeito, que desenvolveu ao longo do tempo. Na minha escola é muito pessoal, e funciona do jeito que a gente faz.
— Mestre Mindinho

Rituais e tradições

Duas coisas diferentes são chamadas de "como a capoeira funciona", e saber diferenciá-las é quase todo o propósito desta página.

RITUAIS

Apertados. Vá a quase qualquer lugar do mundo e você vai encontrá-los praticamente iguais. Aprenda estes e você consegue entrar numa roda que nunca viu antes sem errar.

TRADIÇÕES

Locais. Mudam por escola, por grupo, por estado, por região. As nossas são nossas. As de outra escola são delas, e nenhuma das duas é um erro.

What we teach in our school is our tradition. It is not the truth of capoeira. It is not against the books. It is not the main truth. It is one more truth in a pile of truths out there.
tradução: O que a gente ensina na nossa escola é a nossa tradição. Não é a verdade da capoeira. Não é contra os livros. Não é a verdade principal. É mais uma verdade num monte de verdades que existem por aí.
— Mestre Mindinho

Os rituais

O Mestre ainda está acrescentando itens a esta lista.


Onde as escolas divergem

Estas são as perguntas que um livro responde com confiança e um segundo livro responde de outro jeito. Os dois estão dizendo a verdade sobre a roda de onde vieram. Aqui está o leque, e depois o que a gente faz.

Como se chamam os três berimbaus

Doze livros na nossa biblioteca. Cinco esquemas diferentes, e eles não se conciliam. O mais comum chama de gunga (grande, comanda), médio (do meio) e viola (pequeno, improvisa). Mas a própria academia de Bimba registrou gunga · viola · violinha. Seis mestres de Angola citados pelo nome usam berra-boi para o grande, com o gunga como o do meio. Uma fonte não tem gunga nenhum na bateria. Uma autora se contradiz entre dois livros dela mesma.
LIB-035 · 037 · 039 · 040 · 041 · 042 · 044 · 045 · 046 · 047 · 048 · 050 · 054
NA NOSSA ESCOLA
A gente usa gunga (grande, comanda) · médio (do meio) · viola (pequeno). O Mestre escolheu — não por ser o mais comum, mas porque é o que a gente faz.

O que tem na bateria

A bateria da Regional de Bimba era um berimbau e dois pandeiros — sem atabaque. Muitas rodas de Angola usam três berimbaus, dois pandeiros, atabaque, agogô e reco-reco. A maioria das escolas fica no meio do caminho, e escolhe.
NA NOSSA ESCOLA
Da direita para a esquerda:
Aula do dia a diaAtabaque · 1–2 Médios · Pandeiro
BásicaAtabaque · Gunga · Médio · Viola · Pandeiro
CompletaPandeiro · Atabaque · Gunga · Médio · Viola · Pandeiro · Agogô
Do BimbaPandeiro · Médio · Pandeiro — a nossa própria raiz, não de outra escola

Sim, a gente usa atabaque. Numa aula o instrutor pode usar só pandeiro, só atabaque ou só berimbau — mas a preferência é do berimbau.

This is our roots. Mestre Bimba's traditions is our roots. We don't do exactly what he does, but everything we do is based on what he does. That's why it's important above everything else.
tradução: Essas são as nossas raízes. As tradições do Mestre Bimba são as nossas raízes. A gente não faz exatamente o que ele faz, mas tudo que a gente faz é baseado no que ele faz. É por isso que é importante acima de tudo.
— Mestre Mindinho

Como a roda abre

Muitas rodas de Angola abrem com uma ladainha — um canto solo longo, ninguém jogando, todo mundo ouvindo — seguida de uma parte respondida, e depois os corridos. Outras linhagens abrem com uma quadra. Os livros discordam sobre qual, e até sobre como se chama a parte do meio.
NA NOSSA ESCOLA
A gente sempre abre a roda com uma quadra. E quem canta é quem está no berimbau — a voz pertence ao instrumento, não a alguém em pé fora da bateria. Depois vem a louvação, e então os corridos.

Quantos tipos de canto existem

Três respostas na nossa biblioteca, e elas se contradizem. Uma diz três formas: ladainha, chula, corrido. Outra diz quatro, acrescentando a quadra. Outra diz quatro, com lamento no lugar. E as definições se cruzam — o que um livro chama de chula, outro descreve quase ao contrário.
LIB-038 · LIB-039 pp. 51–52 · LIB-041 p. 30
In general we follow this.
tradução: Em geral, a gente segue isso.
— Mestre Mindinho · apontando para uma fonte externa, sem recitar as formas ele mesmo
NA NOSSA ESCOLA
A fonte que ele indicou nomeia quatro formas — corrido, quadra, chula, ladainha — sendo a chula uma cantiga curta, normalmente de improviso, que apresenta ou identifica, e a louvação uma coisa diferente: louvor, nomeando mestres e origens. Essa é a nossa resposta para quantas formas existem e o que é uma chula — porque ele escolheu essa fonte, não porque é a mais comum. Isso fica ao lado do fluxo real da roda, acima: quadra, depois louvação, depois corridos. A fonte não diz que a gente canta uma ladainha ou uma chula aqui — só o que essas palavras significam em geral.

A voz

We are not singers, we are storytellers. The voice is just the tool you use to pass the message. Having an incredible voice is a plus — but definitely not required. What is important is that you find your internal voice, your internal way to transmit the message.
tradução: A gente não é cantor, a gente é contador de história. A voz é só a ferramenta que você usa para passar a mensagem. Ter uma voz incrível é um plus — mas definitivamente não é obrigatório. O importante é você achar a sua voz interna, o seu jeito interno de transmitir a mensagem.
— Mestre Mindinho

Em português a distinção é exata: cantor é quem canta, cantador é quem conta. Se você já achou que não conseguiria fazer isso porque não sabe cantar, é essa a frase para reler.

A música da capoeira é para qualquer um?

Um mestre respeitado está registrado dizendo que não: "a música da capoeira não é para qualquer um."
LIB-047 p. 12

O Mestre Mindinho foi perguntado diretamente, e discordou.

In my perspective, everybody can play capoeira and can sing. Like any other art, we will have people with incredible talent who become incredible artists.
tradução: Na minha perspectiva, todo mundo pode jogar capoeira e pode cantar. Como em qualquer outra arte, vamos ter pessoas com talento incrível que viram artistas incríveis.
— Mestre Mindinho
Everyone can perform, in one way or another. Using your voice to transmit a message is doable by everyone — and that is the minimum for being a capoeirista. Some will become above average, incredible performers, incredible singers. But capoeira has a didactic way to teach everyone to participate.
tradução: Todo mundo consegue se apresentar, de um jeito ou de outro. Usar a voz para transmitir uma mensagem é possível para todo mundo — e esse é o mínimo para ser capoeirista. Alguns vão ficar acima da média, intérpretes incríveis, cantores incríveis. Mas a capoeira tem um jeito didático de ensinar todo mundo a participar.
— Mestre Mindinho

Quem pode cantar, tocar e puxar

NA NOSSA ESCOLA
Nada fica trancado atrás de uma corda. Nenhum instrumento, nenhum toque, nem puxar a roda. Qualquer um pode praticar qualquer coisa, a qualquer hora — só precisa de motivação. Usar um instrumento corretamente na roda é outra coisa e exige mais conhecimento: a porta é o conhecimento, na roda, não a graduação na entrada. Cordas mais altas geralmente têm preferência simplesmente porque têm mais tempo de casa — mas isso não é verdade em muitos casos. Um iniciante com uma voz incrível que se apresenta corretamente e segue os rituais e as tradições vai ter o espaço dele na roda.

A ordem em que se aprende

1 · Palmas
a palma
2 · Responder o coro
3 · Atabaque e pandeiro
4 · Berimbau
Uma fonte conhecida coloca a voz antes das palmas. O Mestre coloca as palmas primeiro. As duas ordens existem; esta é a nossa, e o aluno que ler aquele livro deve saber que a outra também existe.
LIB-051 p. 5

Por que a gente ensina tudo

My goal as a teacher, my goal as a mestre, is to teach my students to be able to play, to behave, and to participate in capoeira in any circumstance. Anywhere there is capoeira, he is going to be able to play and participate and be a singer and sing in the roda.
tradução: Meu objetivo como professor, meu objetivo como mestre, é ensinar meus alunos a conseguir jogar, se comportar e participar da capoeira em qualquer circunstância. Em qualquer lugar onde tiver capoeira, ele vai conseguir jogar, participar, ser cantador e cantar na roda.
— Mestre Mindinho

É por isso que esta escola ensina as tradições da Angola e da Regional, e cantigas que a gente não canta aqui — porque um dia você vai estar num lugar que canta. As nossas tradições vêm primeiro. Elas são a fundação, não o limite. E se você chegou já carregando o jeito de outra escola: guarde, continue melhorando nele, e acrescente o nosso por cima.


Usando o cancioneiro

  1. Abra uma música. Ela mostra o coro — a linha que todo mundo responde.
  2. Aperte play. Cada sílaba acende enquanto é cantada, e uma contagem avisa a hora de entrar.
  3. Toque numa linha para pular até ela. Toque de novo para repetir só aquela linha.
  4. Baixe para .5× quando uma linha não gruda.
  5. Abra o Praticar para uma base — berimbau ou pandeiro, três velocidades — e cante só com o ritmo atrás.
  6. Grave você mesmo e mande para o Mestre. Ele ouve e te responde aqui.
Tudo nesta página atribuído ao Mestre vem das palavras gravadas dele. Tudo sobre o que outras escolas fazem vem de livros da biblioteca da escola, citados para você poder ir ler. Onde eles discordam, isso é mostrado em vez de resolvido — porque você vai encontrar tudo isso por aí.